Aurora: quando ele dança

É quando ele dança

Quando ele dança, meu bem, tinge meu mundo d’um tom anilar.
Tinge minhas roupas, meu corpo, me tinge inteira da sua cor favorita.
Quando ele dança,
oscilando o corpo magro naquele breu do comodo apertado, claustofóbico e calorento
me tira o folego e a vergonha
me tira a inocência e as pregas
Ele dança e dança e dança da tua maneira desajeitada
Lascivo o homem, lascivo lascivo lascivo:
o torax magro brilha a luz da vela acesa na extremidade esquerda
A cintura pequenina, as pernas longas e magras
Oscilam e oscilam, libertas e libertinas
Roga a calma em minha alma, enche minha boca d’água e de travessias
Manda-me olhares; mas os olhos estão fechados
Porque quando dança, o mundo desce e ele sobe: prevalece aquele corpo que oscila e oscila e oscila
E pelo filete de luz prateada que entra sorrateira pela fresta da janela
vejo teu rosto, metade dele, metade d’um rosto sereno
Serenidade essa, d’onde vem?
vem de toda magnitude, toda mágia e todo impudico gesto
Pois quando ele dançava,
não pertencia a ninguém e ao mesmo tempo a todos
e dançava dançava dançava dançava dançava
puro injusto salaz bruto impetuoso
Dançava dançava dançava dançava
Eu, sentada, passiva a toda aquela sensualidade
de virilha esquentada e alma rachada
e quando dançava, entrava dentro de mim

ali longe onde estava, e dançava me penetrando a alma

e eu oscilava oscilava oscilava do outro lado do quarto

Contudo, ele não dançava bem
mas, baby, por favor, dance
dance dance dance dance
implorava eu, dance dance
Traz pra minha pele aqueles arrepios
aflora em mim a rosa da malícia e da candura
E ele oscilava e dançava, dançava oscilando aquele corpo esquelético
Quando não estou bem, digo “dance”
e da tua maneira desastrosa e feia, dançava
lançava na minh’alma interrupta paz
e ao teu respeito idílios ébrios
Um afã louco de tirar a roupa
e a tua roupa, retira-la
e dançarias nu, nu na minha frente dançaria e me faria louca
louca louca louca de tão feliz
porque quando ele dança…
quando ele dança… meu bem
…a libido me deixa
libido feroz densa magnitude…
aquele homem lascivo

8 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Hiago Vitor
    nov 02, 2011 @ 11:14:27

    Quantas palavras dificeis , seu vocabulario esta muito avançado , parabens , um dia você será uma grande escritora , será não , é uma grande escritora . ^^

    Responder

  2. Bianca Mello
    nov 04, 2011 @ 17:44:09

    “Quando ele dança,
    oscilando o corpo magro naquele breu do comodo apertado, claustofóbico e calorento
    me tira o folego e a vergonha
    me tira a inocência e as pregas”

    Gostei dessa parte. E dessa: “Traz pra minha pele aqueles arrepios
    aflora em mim a rosa da malícia e da candura”

    Mas como leitora fiel e sincera que sou, tenho que dizer que você tem que PRENDER mais o leitor, ou seja, mais safadezas para mim rs

    Responder

  3. Éber Miom
    nov 05, 2011 @ 04:07:24

    Acho que você tem melhorado a cada texto. Tem explorado mais cada cena e descrito bem, à devida maneira, e encerrado da forma que deve ser, ou que não devemos esperar. Afinal, um bom conto é aquele que se sente algo, seja pra bom ou pra ruim. Whatever. Só acho que você deveria variar, não apenas navegar nas mesmas águas. Uma aventura não se dá por um riacho, mas sim por um rio até chegar ao oceano. A diversidade, não exatamente sempre, faz e te amadurece. De qualquer forma, gratz, nice txt =).

    Éber
    Ps: nem tem foto pq não uso mais face, rs.

    Responder

    • Anny de Souza
      nov 05, 2011 @ 19:17:43

      Obrigada e obrigada.
      Mas, escritor tem sua maneira de escrever. Eu encontrei minha identidade literária, e é essa que eu uso. Não tem como eu escrever igual Lewis, e ao mesmo tempo alternar para Sidney Sheldon e depois Caio Abreu.
      Quando alguém lê alguma coisa de Augusto Cury, já sabem que é ele. Pois bem: quando leem algo meu, já vão saber a quem pertence.
      Por isso que a gente varia de autor, não é? Quando queremos alternar o tipo de escrita, lemos outro escritor. 🙂

      Responder

  4. Bianca Mello
    nov 05, 2011 @ 14:16:52

    Agora é sério, o texto está bom… Mas acho que você repetiu a palavra “dança” demais. TE AMO, NÃO ME MATE!

    E quero sacanagens. u.u

    Responder

    • Anny de Souza
      nov 05, 2011 @ 19:28:26

      O verbo “dança” foi usado várias vezes para mostrar pressa na narrativa e, naturalmente, a insistência de Paulo no ato. Pensei que fosse bem óbvio isso. 🙂

      Sacanagem, sempre!

      Responder

  5. Mateus
    jun 21, 2012 @ 17:02:27

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: