Quebrando os muros da não-criatividade

Que venham os dragões e quimeras da imaginação!

Quero solidão no meu próprio mundo utópico de dragões e cigarros

Não tenho conseguido escrever. Vez ou outra me vem esse bloqueio que me impede de iniciar qualquer frase, qualquer prosa, qualquer decisão. Sei e não sei o motivo – e mesmo atordoada me mantenho na minha própria arte da contradição. Quando existem conflitos internos cutucando minha alma com faca bem amolada, corta minha linha frágil da criatividade e inspiração. Pergunto-me se é algo só meu… Essa minha mania de achar que coisas estranhas são autênticas minhas. Seria bom compartilhar essa estranheza minha com alguém que tem ela viva em si também.

Conclui que ficar sem escrever não dá. Eu preciso pra descarregar tudo isso que está aqui dentro, pois é muita coisa. Mas com esmeros, demasiado cuidado para não descarregar tudo e me deixar vazia. Seguir vazia, não dá.

Decidi escrever sobre como não consigo escrever. E já se foram boas linhas nesse raciocínio insano. Coloco Chico Buarque pra tocar e estou com sensibilidade suficiente para enxergar a infinute, fé e esperança por trás da frase “amanhã vai ser outro dia”. Por essa razão repito pra mim, até que se torne verdade, que essas minhas fases são boas para o bom entendimento de coisas que não entenderia se estivesse de espírito neutro.

Há muito tempo guardei o eu-lírico no bolso duma calça que uso poucas vezes e deixei de escrever sobre mim. Agora toda essa confusão me acusa que esse motivo é o que me deixa assim, tão cheia de coisas aqui dentro fervilhando e não sei o que fazer com elas. Sabe que faz algum sentido?

A questão é que eu tento resolver sem aflorar a dramaturgia fincada em mim. Dilato as narinas, colido a mão ao peito e respiro profundo pra repetir a mim que isso passa. Amanhã, ou dentro de uma semana – mas vai passar. Daí Chico Buarque, com sua boça nova melancólica, enche o cômodo com a frase que eu precisava: “você que inventou a tristeza, ora tenha a fineza de desinventar”.

Pego um café pra apaziguar essa luta de borboletas interiores, me descubro cansada de procurar o cigarro que me esqueci de comprar e isso me causa um estresse de artista não descoberta que me pertence desde criança. Despejando esse café quente em todo esse sentimento incandescente, me vem à cabeça o trecho de Daytripper – livro de Fábio Moon e Gabriel Bá:

Em épocas assim, buscamos conforto dos pequenos prazeres. As coisas que agradecemos por terem sido inventadas. Não importa de onde você seja – ou como você se sente… Existe sempre paz numa xícara de café forte. Então ele foi até a padaria tomar seu café da manhã. Forte. Preto. Sem açúcar… Pois ainda não havia nada doce nesses dias. Ele quer outra xícara. Mas café não faz milagres.”

Rio frouxo, rio sozinha. Acabo descobrindo que me sinto confortável sendo eu e estando comigo mesma. E eu não conto sobre mim, pois ninguém sabe falar o que a gente quer ouvir. Como já diria Mallu Magalhãesnem vem tirar meu riso frouxo com algum conselho, porque hoje eu passei batom vermelho”.

E no fim desse texto torto e sem nenhum sentido posso concluir que só preciso estar escrevendo. Não importa por que, não importa de quem; nós, contadores de histórias, só precisamos por a cabeça pra pensar e derramar até se formarem letras. Ou nem pensar, apenas permitir que as idéias venham e nos conduzam para uma linha louca e que as pessoas se identifiquem com o que escrevemos.

Que ninguém me leia, ou me leia, mas não entenda, ou me entenda – duvido! Mas que venham, mas que tente, mas que se envolva nas linhas e que se ache onde tentei me encontrar.

1 comentário (+adicionar seu?)

  1. §D§
    jan 17, 2012 @ 19:26:59

    Compreendo a necessidades de escrever e a aflição que nos causa a falta de inspiração. O papel é um ótimo ouvinte, não nos faz questionamentos e mesmo assim nos mostra as verdades que escondemos de nós mesmos.
    Penso que o hábito de escrever é o que purifica nossa mente deixando-nos em paz e nesse caso o hábito faz o monge.

    Abraços
    §D§

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