Quando me encontrar, juro que te encontro


“Do que eu preciso é lembrar, me ver, antes de te ter e de ser teu”. (Condicional, Los Hermanos)

“Do que eu preciso é lembrar, me ver, antes de te ter e de ser teu”. (Condicional, Los Hermanos)

Eu me perdi em alguma travessa da Rua Augusta e não me encontro de maneira alguma. Justo num tempo da minha vida em que eu estava tão bem comigo e com energias puríssimas que me mantinham serena e me dava certeza que eu estava ali e não estava vazia. Mas sempre fiz peraltices comigo mesma inconscientemente. Ora… Eu sei, eu sei bem que me perdi, e que fugi pra um lugar fantástico, um tipinho de paraíso que determinei e onde tenho acesso esporádico e raro. Sem rasgar qualquer seda digo que esse lugar a onde fugi é nuns tais braços. Cansei de ficar fazendo rodeios comigo mesma, tentando contornar meus anseios com esse orgulho que só fere e traz dissabores.

Mas não era disso que queria falar, queria falar de como me sinto distante desse paraíso, responsabilidade qual entreguei silenciosa a esses braços e não tenho intenções de perguntar se eles aceitam ou não ser meu sossego. Paraíso pode soar apelativo e me entregar demais, então dou um novo nome de “aconchego” – sabendo que prefiro paraíso, todavia prefiro manter meu ego intacto.

E durante dias, noites e muitas folhas escritas fiquei tentando descobrir por que o sentia tão longe, sendo que, outrora, estava tão próximo que quase entrava em mim, me tomava posse e saia por ai sendo eu. Após uma semana de céus cinzas mesmo que os dias estavam, de fato, ensolarados aqui em São Paulo, descobri sentada no Parque da Independência que o motivo de estar sentindo-o longe, é porque eu não me sentia perto de mim mesma. O vínculo entre nós era tão forte que, no ato de me perder, acabei perdendo-o de vista também.

Mas isso acontece sempre e à gente nem percebe: quando as outras pessoas estão distantes é porque estamos distantes de nós mesmos. É preciso nos ter por perto pra ter os outros perto. A princípio, parece loucura, mas faz um sentido absurdo ainda mais louco quando percebemos que esse contato realmente acontece assim. Depositamos a culpa em coisas externas pra justificar a solidão súbita – ou a já instalada há tempos – e a falta de resposta do outro lado, mas na realidade quem não está reagindo somos nós.

É preciso nos encontrar para encontrar alguém. Se não nos acharmos, não existimos e sem existir, não tem como interagir com outra pessoa. É necessário nos ter, nos sentir, nos pensar para que tenhamos condições de fazer o mesmo por quem a gente gosta.

Conclui que é impossível gostar de alguém se não gostamos de nós. Chegamos até a nos atrair por alguém, mas não de forma saudável. Nunca dá certo se não tivermos um carinho especial por nós mesmos. Se ficamos com alguém por essa pessoa ter características iguais a nossa, isso significa que, sobretudo, nos amamos. Papo piegas, mas é riquíssimo e procede.

Diante dessa descoberta incrível e digna dum livro de auto-ajuda que seria lido somente por mulheres de 30 anos, sigo tentando me encontrar para que eu possa reencontrá-lo.

E quando eu encontrar vai ser de lágrima! Vai sobrar sorriso, carinho e carnaval.

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