Seja príncipe ou seja sapo, mas seja

Eu encontrei quando não quis mais procurar o meu amor. (Ultimo Romance, Los Hermanos)

Eu encontrei quando não quis mais procurar o meu amor. (Ultimo Romance, Los Hermanos)

Ele apareceu na hora certa.

Soa até ensaiado: ele apareceu quando eu não queria encontrar ninguém; quando eu queria mesmo era ser encontrada. Ele apareceu quando minha vontade de viver pulsava forte e pegou um bocado pra si, deixando em mim o essencial. Ele veio quando eu queria mandar cartas, mas não tinha destinatário. Me encontrou quando eu queria me entregar, pois havia acabado de descobrir que não se entregar era não se permitir, e vivia não me permitindo viver algo bonito. Quase incrédula do amor (e ainda um bocado). Mas então ele me achou quando eu decidi que talvez exista, sim, amor.

Me encontrou quando eu não procurava e ai a gente percebe que quem procurou demais, chega um momento que tem de fazer um café forte, sentar e esperar ser encontrado. E quem nos acha tem os pés menos calejados que os nossos – ou não! Ou simplesmente e uma daquelas figuras que não desiste do amor.

A gente aprende, também,  depois de tanto levar na cara e oferecer a outra face, que não existe pessoa certa. Que, na realidade, o que existe é alguém pra nos dar colo e por nossas fibras a agitar. Precisamos mesmo, ainda mais em São Paulo onde não existe amor (segundo Criolo), de um sujeitinho(a) para nos ouvir e que gostamos de ouvir também. Mas ouvir qualquer coisa, sabe? Do dia no trabalho, como ela gosta de esmalte azul, como o trânsito está cada vez pior, a posição crítica sobre qualquer assunto polêmico ou simplesmente deixar a pessoa manifestar seu silêncio – às vezes a gente só quer alguém pra ouvir nosso suspiro.

Mas sabe que pouca gente aprende? Que a pessoa que encontramos não tem a obrigação de ser um Eros, tampouco de assumir uma perfeição que ser humano algum tem. Tem de remover o hábito de, ao descobrir os defeitos do parceiro(a), cair fora. A vida a dois não é um filme da Pixar. Supera, releva.

Não espero ninguém que tenha o mesmo apreço por literatura e animais, ou que goste de sentar na mesa dum bar e falar de qualquer coisa que vir a cabeça. Só espero alguém que me faça sentir em outro continente.

Saio muito fácil do contexto!

Como estava dizendo: ele me encontrou quando eu queria umas coxas pra pousar as minhas e uma barba pra me machucar o rosto. Ele apareceu quando eu queria alguém pra combinar passeios no fim de semana e ficar segunda, terça, quarta, quinta e sexta ansiosa, mas negando que não.

Ele apareceu quando… Sabe? Quando eu queria ser querida. Quando queria querer e ter um querido pra receber.

Escrito 29 de Novembro, 2011.

1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Cacau
    jan 22, 2012 @ 22:16:46

    Menina! parabéns! Adoreiiiiiiiii!!! *o*

    Responder

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